Estreitar o intercâmbio e a convivência entre o Brasil e o México foi o principal objetivo do Concurso Desafio (denominado Reto, em espanhol) lançado pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAv/MinC) e o 4º Festival Internacional do Documentário da Cidade do México (DOCSDF), que ocorre de 15 a 24 de outubro, e que tem como país convidado o Brasil.

A competição lançada aos cineastas brasileiros tinha como única condição fazer um documentário e o cenário deveria ser o Centro Histórico da Cidade do México, uma das mais populosas do continente americano. Os escolhidos foram Tatiana Carvalho Costa e Fernando Resende que enviaram como proposta para o documentário As Cartas de Plaza de Santo Domingo.

Os vencedores do Desafio e mais outras quatro equipes mexicanas vão produzir um documentário com 100 horas de gravação, entre 11h de sexta-feira, do dia 16 de outubro, até 16h de terça-feira, 20 de outubro. O DOCSDF vai proporcionar ao realizador selecionado a infraestrutura necessária para a produção, gravação e edição do documentário, além de hospedar a equipe. O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria do Audiovisual, se responsabiliza pelas passagens dos selecionados.

As Cartas de Plaza de Santo Domingo

Tatiana Carvalho e Fernando Resende estiveram no México, em julho deste ano, para um congresso e nos passeios pela cidade foram guiados por uma amiga mexicana que os levou ao Centro Histórico da capital. O tema surgiu desse passeio turístico pela Plaza de Santo Domingo, onde os mexicanos que não sabem escrever pedem ajuda para se comunicar com os parentes deixados em seus povoados de origem.

A proposta do documentário é retratar esses relatos íntimos que conectam histórias particulares a questões universais. Um registro que passeia na fronteira entre real e imaginário, sobre os escritores de cartas – os evangelistas – e seus clientes no “Portal dos Evangelistas”, na Plaza de Santo Domingo.

Os cineastas acreditam que a escrita das cartas contenha um potencial que evidencia as experiências coletivas que atravessam os relatos. Para eles, essas experiências aparecem na mediação – nas falas e no papel – de individualidades de um cotidiano atravessado pela identidade do povo mexicano e pela força de sua história coletiva.