Um longo caminho ainda a percorrer, contudo os primeiros passos já foram e continuam sendo dados. Essa é a mensagem que fica após a cerimônia de encerramento do II Fórum Nacional de TV’s Públicas. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, participou do evento realizado na tarde desta quinta-feira, 28 de maio, no Auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, em Brasília.
Para o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, é preciso avançar as discussões em relação a pontos como a conquista de audiência e a qualidade de programação veiculada pelas TV’s Públicas.
“Penso que ainda estamos bastante presos às questões como marco regulatório, marco legal, financiamentos que são importantes para podermos dizer, colocar a casa de pé, mas queria chamar a atenção para o fato de que o grande desafio ao lado disso é a programação. Precisamos trabalhar para podermos produzir programas o tempo todo que sejam capazes de formar uma audiência”, disse Martins.
Para ele a audiência para as TV’s Públicas é algo tão importante como para as comerciais, a diferença é que o público que a compõe é formado por cidadãos e não por consumidores, só assim ganharão importância e relevância. “Isso requer tempo. Televisão não é algo que se faz em seis meses, mas é preciso que se tenha um norte, e nosso objetivo deve ser produzir programação de qualidade que atinja cada vez mais pessoas”, completou.
Na solenidade foi entregue um documento ao ministro da Cultura, Juca Ferreira, com uma proposta fomentada durante a realização do Fórum, que diz respeito à criação de um Instituto de Estudos de Comunicação Pública, que entre outras atribuições terá a incumbência de definir os pressupostos de aferição de perfomance da programação veiculada.
Sobre o documento, o ministro afirmou que é preciso levar em consideração as especificidade do setor para evitar que se aplique ferramentas inadequadas. “Não podemos usar os instrumentos de medição que é usado pelas tevês comerciais. As perguntas que devemos fazer para o nosso público devem ser outras, pois nossa ótica em relação a eles é outra e as funções que são levar educação, cidadania e cultura também são diferentes do que o entretenimento”.
Para Juca Ferreira o processo de criação da TV Pública não é tarefa fácil em um país que conta com um sistema televisivo tão exuberante e que tem a simpatia da maior parte da população brasileira. “Isso exige a construção de uma qualidade altamente positiva, por isso concordo com o ministro Franklin Martins quando diz que a constiuição de uma audiência é importante, mas devemos fazer isso por outra lógica, a partir da opinião da sociedade acerca da qualidade”, disse.
Nesse sentido, uma das questões levantadas durante o II Fórum Nacional de TVs Públicas é constituir uma parceria com a Agência Nacional do Cinema (Ancine) para que a produção audiovisual do país seja exibida por esses canais. O presidente da instituição, Manoel Rangel, afirmou que a parceria é de extrema relevância para o cinema brasileiro e propocionará à população mais conhecimento sobre a diversidade cultural do país.